iTech Hoje 43: Tomando notas e gerenciando informações

iTech Hoje 43: Tomando notas e gerenciando informações

Neste episódio, Alexandre Costa e Vladimir Campos conversam sobre diversos aplicativos para fazer anotações e gerenciar informações. Conheça os mega fluxos de trabalho do Alexandre, e os micro minimalistas fluxos do Vlad.

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A Era do Free acabou?

Não existe almoço grátis

Enquanto o Google lança um novo serviço para competir com o Evernote, e desativa o Reader, a menina dos olhos de todos os blogueiros, Miguel de Icaza, o principal desenvolvedor do Gnome, a famosa interface gráfica para Linux, declara seu amor, em seu blog, por computadores da Apple.

O que está acontecendo nesta segunda década do século XXI? Em 2009, o Editor-em-chefe da revista Wired, Chris Anderson, publicou um livro entusiástico sobre a economia do “grátis”, descrevendo o Google como um caso de sucesso da estratégia através da qual certos bens e serviços poderiam ser gratuitos para os usuários, enquanto a publicidade pagaria a conta.

Nos últimos anos do século passado, e na primeira década deste, fui um entusiasta do software livre. Enquanto o Windows reinava supremo, e a Apple estava fora do alcance financeiro da maioria dos brasileiros, eu achava fenomenal usar um sistema seguro e robusto — ainda que pouco amigável — absolutamente de graça.

Mas se tem sistema operacional gratuito, e-mail gratuito, agregador de notícias gratuito e espaço na web gratuito, não tem almoço gratuito. Alguém paga a conta dessa história toda.

E quando os interesses dos usuários entrarem em conflito com os dos verdadeiros clientes destas empresas tão “generosas”? E quando os próprios interesses dessas empresas conflitarem com os nossos, como parece ter acontecido no caso do Google Reader?

Quando isso acontecer, não duvide — você vai ficar sem o serviço. Hoje foi o Google Reader, amanhã, por um motivo ainda não formulável nos dias de hoje — pode ser o gmail, o Google Agenda, e outros serviços “gratuitos” dos quais aprendemos a depender.

O modelo do Google tem sido questionado por iniciativas como a do app.net, o próprio Evernote, e outros, que oferecem um conjunto limitado de benefícios gratuitos, para cobrar por um uso mais avançado e massivo de seus recursos.

Assim, não há nada de errado em se cobrar (ou em se pagar) por um serviço do qual você depende. Ainda existem meios entre os quais se diz de uma pessoa que paga por serviços na Net que seus gastos são em vão, já que ainda existem muitas alternativas gratuitas — e extremamente úteis.

No entanto, uma solução a longo prazo que não envolve o pagamento direto dos usuários, com frequência vai depender de um cliente (aqui usuário e cliente não são sinônimos) que pode deixar de querer mantê-la, deixando você na mão.

Então, ignore aquele seu amigo que ri da sua cara todas as vezes que você compra um programa, e pense em seus dados e no seu fluxo de trabalho: É melhor pagar um preço justo por um serviço, do que um dia depender dele inteiramente — apenas para se ver tendo que buscar alternativas.

Por este motivo, não usarei, nem aconselharei o uso do Google Keep. Você e suas anotações são um produto para o Google vender. Quando ele reavaliar o seu valor, você será uma mercadoria encalhada.

DEVONThink, o gigante adormecido.

Ícone do DEVONThink Pro

Uma das coisas interessantes do mundo Mac, e que ajuda você a ter uma máquina livre de pirataria (o que às vezes também significa livre de malware, no caso de usuários Mac), são os Software Bundles.

Às vezes tendemos a desconfiar de promoções que dizem “de $600 por $50”, e isso é perfeitamente natural. Mas essas são as regras usuais de uma promoção dessas. Geralmente umas duas ou três vezes por ano, sites como MacUpdate e MacHeist, além de muitos outros, lançam pacotes com licenças para vários programas atuais, com um desconto de enorme magnitude.

Foi assim que comprei alguns dos melhores aplicativos que uso atualmente em meu Mac. Ou pelo menos, comprei uma vaga para atualizações futuras por um preço mais em conta.

Este mês, resolvi me dar o MacUpdate March 2013 Bundle, não tanto por causa do carro-chefe (parallels), pois já não tenho a menor necessidade de usar windows, profissional ou pessoalmente.

O que me atraiu para esse bundle foi o cultuado DEVONThink Pro, um organizador de arquivos similar (e bastante diferente, como veremos), ao também cultuado (e ultimamente mais na moda) Evernote.

Devido à brecha de segurança inédita em sua história, apesar de ter reagido de forma rápida e honesta, como comentamos no último podcast, O Elefante nos lembrou (o propósito dele não é mesmo esse? ;-) ) de que não há segurança imbatível on-line. Sempre há como se aperfeiçoar.

Isso encheu os usuários do DevonTHINK de alívio. E a mim de curiosidade. Sendo eu um usuário ferrenho do elefante verde, precisamente pela ubiquidade de seus serviços, me vi cheio de curiosidade em relação ao gigante DEVONThink, que perdeu muito terreno para o Evernote, também por suas deficiências na entrega dessa ubiquidade.

Mas, foi precisamente a falta dessa característica que aliviou quem mantém seus documentos localmente, como precisa fazer quem usa o DEVONThink atualmente. Para roubar os seus dados, uma pessoa tem que roubar o seu computador, e também os seus backups. ;-)

Claro que eles estão trabalhando neste sentido. Foi por isso que ficaram para trás, em relação ao Evernote. Na verdade, não apenas por isso.

O Evernote tem uma marca simpática, e um apelo a todo ser humano adulto: organizar e manter a salvo de tudo seus dados mais importantes. É preciso não ter muita atividade digital, para não sentir-se atraído por essa idéia simples e poderosa. E pessoas assim estão cada vez mais raras.

O DEVONThink pressupõe que você tem que fazer opções (tornar-se organizado, usar princípios do GTD, parar de usar papel) para investir na solução deles (que é beeeem salgada, convenhamos).

Além disso, é desenhado para nerds de organização. Traz toda uma terminologia nova (que, naturalmente, eu sendo um nerd de organização aprendi rapidamente). É complicado e adiciona uns birimbelos na tua tela (que você, felizmente, não é forçado a usar).

Apesar disso afastar uma adoção massiva, atrai usuários fervorosos. Gente que adora lamber seus bits e bytes, e encontrá-los facilmente quando precisa. É Rápido. E está adotando paulatinamente uma solução baseada em Dropbox para funcionar na nuvem.

Existe um livro que ensina bem como usá-lo, caso você se perca nos seus numerosos detalhes. Mas, seguindo a filosofia do OmniFocus, com o qual, não por acaso, tem integração nativa no iOS, ele oferece tudo, para você escolher parte dos seus recursos e usá-los de acordo às suas necessidades.

É possível jogar algo no Evernote, esquecer, e depois usar a busca para localizar. Já fiz isso inúmeras vezes, inclusive pelas habilidades do serviço para fazer OCR em documentos escaneados, mesmo manuscritos. O DEVONThink também faz isso, mas em sua versão Pro Office, a mais robusta, que tem todos os recursos.

A diferença é que, com o DEVONThink, uma vez que você pague a conta, pode usar aquela versão do programa indefinidamente. Ele é um produto, não um serviço. Você só paga de novo (e geralmente com desconto de atualização) se quiser as novidades de uma eventual atualização. O Modelo do Evernote é Freemium, ou seja, você usa gratuitamente com algumas limitações, mas para aproveitar todo o potencial da ferramenta, precisa pagar uma assinatura (mensal, trimestral ou anual).

O App para iOS DEVONThink ToGo é superfaturado. Em minha opinião, deveria ser grátis, ou ter um preço simbólico, pois não faz o menor sentido sem sua contraparte no Mac. E sincronizar com ele não é exatamente simples. Além de precisar se conectar na mesma rede wifi que o seu irmão maior, no Mac, não sincroniza toda a sua biblioteca, mas apenas os arquivos e pastas depositados no ‘grupo’ (DEVONThinkês para Pasta) Mobile Sync.

Usa tags, incluindo o excelente sistema OpenSource OpenMeta. Essencialmente grupos e tags são a mesma coisa, a diferença é que um arquivo só pode pertencer a um grupo, mas pode ter várias tags a si anexadas.

É possível usar um sistema solidamente ligado a Tags, e usar um só grupo para todos os arquivos; ou se pode desprezar as tags e usar o DEVONThink como um finder mais poderoso; ou ainda, como comecei a fazer, usar tags e grupos de uma maneira orgânica, como categorias cruzadas, facilitando sua busca de um determinado arquivo.

Interface do DEVONThink

Pessoalmente, estou curtindo bastante o App, e pretendo armazenar dados mais sensíveis nele, pelo menos os que não uso em conjunto com outras pessoas. Para isso sigo sendo um fiel de Lord Ganesha.

A equipe da DEVONTechnologies está trabalhando com afinco para fazer a sincronização em nuvem e a colaboração remota uma realidade para os usuários do DEVONThink. Já prometeram atualização gratuita do App para iOS, em sua versão 2.0, que permitirá sincronizar uma biblioteca pelo DropBox. Isso tem o potencial de mudar o jogo.

Além disso, o maior diferencial do DEVONThink é o seu componente de inteligência artificial, que analisa todas as palavras em todos os arquivos que você inseriu lá e sugere formas bastante eficazes de categorização. Estou trabalhando em um artigo para explicar essas vantagens, que deverá ser publicado aqui em breve.

Se você, no entanto, por algum motivo, não gosta de Lord Ganesha, ou se assustou com a possibilidade de dados sensíveis vazarem em um ataque hacker, aproveite o Bundle; Você vai economizar mais de 500 Obamas, nos demais Apps também muito bacanas, e cerca de 20 Obamas na versão pro do DEVONThink.

iTH 40: App.net (ADN)

iTH 40: App.net (ADN)

Neste episódio, Alexandre Costa, Otávio Cordeiro e Vladimir Campos conversam sobre o grande acontecimento da semana, o ataque ao Evernote, e sobre o novo serviço do momento, App.net (ADN). O que é? Pra que serve? Como usa? Devo ir pra lá?

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Troque o Bloco de Notas de uma Nota do Evernote com atalho de teclado

Essa dica vai para os viciados em comandos de teclado. O Otávio Cordeiro já havia nos deixado a fantástica dica do “cmd + j” para visualizar e navegar pela estrutura de notas do Evernote. Até menciono isso no meu livro! Hoje compartilharei outra dica de teclado que pode ser muito útil.

Vamos aprender como usar um atalho para mudar uma Nota para outro Bloco de Notas. Quando dentro de uma Nota, utilize a combinação “ctrl + cmd + m” (no Mac) e você será apresentado à sua estrutura, porém, neste caso, você poderá mudar esta Nota para outro Bloco de Notas. Basta escolher o destino desejado na lista.

Bloco de Notas atual

Ao digitar “ctrl + cmd + m”, você verá o menu abaixo.

Escolha o Bloco de Notas de destino

Se você usa o sistema de enviar parte das suas Notas para um “inbox” com o objetivo de posteriormente realizar uma triagem, conforme sugeri no meu livro, esse atalho de teclado vai te ajudar muito.