Fotos com iPhone ou Câmera Digital?

No início de junho gravamos um episódio do podcast especificamente sobre utilização de smartphones para fotografia digital. Na ocasião mencionamos vários aplicativos que utilizamos em nossos iPhones. Porém, no meu caso, eles todos fazem parte de um projeto maior. Até então, eu vinha tentando usar apenas o iPhone para minhas fotos.

E de onde surgiu essa idéia?

Um dia, organizando minhas fotos no Mac, notei que quase todas as que tenho do Rio de Janeiro foram feitas a partir dos meus celulares: Palm, BalckBerry e iPhone 3/3GS/4. Geralmente viajo para a Cidade Maravilhosa algumas vezes por ano e quase sempre descompromissadamente. Imagino que por essa razão acabo quase nunca levando uma “câmera de verdade”. As fotos – como pode ser visto nas de 2008 e 2010 publicadas no meu Flickr – não ficam maravilhosas, como a cidade, diga-se de passagem. Mas sempre que olho para elas, penso que cumpriram o papel de “captar e registrar um momento especial”.

Outro detalhe que preciso compartilhar com o leitor é o meu quase completo desconhecimento de técnicas de fotografia. Meu pai é muito bom nisso e sempre teve câmeras sofisticadas. Portanto, o pouco que sei, aprendi com ele e com algumas leituras posteriores. E quando digo pouco, é realmente muito pouco! Conheço algumas regras de luz, enquadramento, cores e só.

O que me encanta na fotografia é realmente o registro dos momentos e não a técnica envolvida. Mas, por favor, não me entenda mal! Adoro ver fotos que usam e abusam das boas técnicas. Gasto diariamente muito tempo da minha vida navegando pelo Flickr e apreciando as fotos de quem realmente entende do assunto.

Pois bem, considerando que o que eu queria era apenas “registrar momentos” e fazer isso com um equipamento que estivesse sempre à mão, resolvi colocar em prática meu teste de usar apenas o iPhone como câmera fotográfica assim que voltei de Rapa Nui.

Dizem que a câmera do 4S é muito boa, mas o meu modelo é o 4, que na minha opinião tem também uma câmera bastante razoável. Os aplicativos que utilizei nesse período de testes foram os seguinte: Câmera (do próprio iOS), Camera+, Hipstamatic, Evernote Food, Flickr e FlickStackr. Depois de quase dez meses, notei algumas coisas (óbvias, diga-se de passagem) que quero aqui compartilhar.

O iPhone é muito prático. Está sempre com você. E depois da inclusão do ícone da câmera na tela principal, ficou muito rápido tirar fotos com o telefone. Isso facilita bastante as coisas. Porém para fotos em ambientes menos propícios, eu usava sempre o Camera+, que permite trabalhar melhor outros aspectos da fotografia e em um segundo momento, recortar e aplicar alguns filtros e bordas. De dentro do aplicativo pode-se também enviar as fotos para o Flickr, Facebook e Twitter.

Antes mesmo de me aventurar no Instagram, eu já usava o Hipstamatic pelo fato de poder guardar as fotos comigo e publicar nas redes sociais apenas o que me interessava compartilhar. A propósito, o Instagram não faz parte de meu fluxo há algum tempo. Foi um dos primeiros aplicativos de rede social que abandonei no meu movimento de restringir meu tempo online.

Uma constatação corriqueira nas fotos feitas pelo iPhone, entretanto, é o problema do “longe/perto” e do “claro/escuro”. Fotos de objetos ou pessoas próximas tendem a ficar muito boas. Com boa luminosidade, ficam ainda melhores. Porém, fotos de paisagens ou pessoas muito distantes do fotógrafo, tendem a ficar muito ruins. E quando combinadas a pouca iluminação, ficam péssimas. Em algumas ocasições eu conseguia corrigir esse problema com o Camera+, mas é um pouco trabalhoso para alguém que não conhece bem as técnicas de fotografia.

O que eu adoro nas fotos feitas com o iPhone é a praticidade de organização quase automática. A partir dele já posso enviar para o Flickr ou outro local e dessa forma manter tudo sempre organizado. As fotos podem também ir automaticamente para o Mac via PhotoStream ou mais recentemente, via novo recurso de upload do Dropbox.

No iPhone, as fotos também captam automaticamente a geolocalização, algo que eu gosto muito. É uma bobagem, mas me agrada depois ver as fotos apresentadas em um mapa. Por exemplo, uma vez fiz uma trilha relativamente longa e depois de processadas e organizadas, as fotos representavam no mapa exatamente o caminho que percorri. Bem interessante ver fotos assim! Na Ilha de Páscoa tentei ativar o GPS do iPhone para captar as fotos ao longo do meu trajeto de bicicleta mas não consegui. Quando retornei para casa, tratei de ajustar isso manualmente no Mac, mas não é a mesma coisa. É quase impossível de se fazer com precisão. E convenhamos, é algo chato demais.

O iPhone sempre vai ganhar em praticiadade, mas confesso que tenho tido pouco sucesso e poucas são as fotos com qualidade. Muitas vezes ficam escuras, não nítidas ou não captam bem as cores. Por essas e outras razões acabo descartando boa parte delas. E ontem, depois de voltar de um acampamento e aproveitar pouquíssimas fotos, resolvi voltar a usar minha câmera juntamente com um grupo de aplicativos e serviços que adoro: GeoTagr, FlickStackr e Flickr. Inclusive levei minha câmera para o acampamento para voltar a praticar e começar a relembrar como usar o GeoTagr.

Falei bastante sobre os três no episódio 21, mas realmente preciso voltar a praticar. Já nessa primeira viagem cometi o erro que esquecer de ajustar os relógios da câmera e iPhone. Também esqueci de ativar o GeoTagr num determinado momento e obviamente precisei aplicar a localização manualmente nessas fotos.

Além dos aplicativos já mencionados, o meu kit completo conta também com uma câmera digital (obviamente!), o iPhone, o iPad e o Camera Connection Kit da Apple.

Para que tudo transcorra bem, é preciso seguir alguns passos:

  1. Em primeiro lugar, lembre-se de sempre sincronizar a hora da câmera com a do iPhone. Parece algo óbvio, mas acredite, é um problema mais comum do que se imagina. Horários de verão, mudanças de fuso em viagem e até mesmo o relógio automático do iPhone contribuem para o incremento nas chances de erro.
  2. Quando começar a bater fotos, lembre-se de antes ligar o GeoTagr no iPhone. É ele quem vai capturar as suas localizações a medida que se desloca de um ponto a outro.
  3. Concluídas as fotos, entrará em ação o iPad e o Camera Connection Kit. Se estiver assinado com o iPhone e o iPad na mesma rede Wi-Fi, será mais fácil. Nesse caso, basta abrir o GeoTagr nos dois dispositivos. Mas sabemos que durante viagens isso não é tão simples assim. Por essa razão o App permite conectar o iPhone ao iPad também via Bluetooth.
  4. Uma vez conectado, utilize o Camera Connection Kit para transferir as fotos para o iPad e em seguida solicite que o GeoTagr inclua as coordenadas. Nesse momento, o App buscará as informações armazenadas no seu iPhone. Por essa razão ele precisa estar conectado ao iPad, seja via Wi-Fi, seja via Bluetooth. Existem outras alternativas como o envio das informações via Dropbox, mas peço que leia as informações no site do fabricante para entender melhor como tudo funciona.
  5. Realize o upload de todas as fotos ou apenas as escolhidas para o Flickr. Nesse momento eu uso o FlickStackr. É um aplicativo excelente e universal que lhe permite fazer no iPad ou iPhone tudo (ou quase tudo) que você faria na interface web do Flickr.

OBS.: Não testei ainda, mas pelo que entendi as etapas 4 e 5 podem ocorrer invertidas. É possível autorizar o GeoTagr a ter acesso a sua conta do Flickr e dessa forma enviar primeiro as fotos e depois solicitar que ele ralize a varredura e inclusão das coordenadas dentro do próprio Flickr.

Que fique claro também que não é necessário enviar as fotos para o Flickr. Isso é apenas uma das possibilidades. Outra alternativa é, por exemplo, transferir as fotos do iPad para o computador, Dropbox, etc.

Note que com tantas partes envolvidas, é evidente que eventualmente uma coisa ou outra não funcionará de acordo com o esperado. Pior ainda quando se pratica pouco o processo. Portanto, passarei a usar esse conjunto de equipamentos e aplicativos nos próximos dias. Quem sabe assim deixo de cometer alguns erros ao longo do processo e passo a incluir fotos melhores no meu Flickr.