Muito já escreveram sobre a aquisição do Sparrow pela Google. Fiquei por dias pensando se deveria ou não dar a minha visão a respeito do tema e, bem, parece que fiz minha escolha.
O Sparrow mudou a forma com que muitos interagem com o email. Fez parecer menos burocrático e, na minha opinião, isto foi algo que só a Google tinha conseguido antes, quando apresentou o Gmail ao mundo.
No Mac, o aplicativo consegue, com sua interface minimalista, focar no que realmente importa, o conteúdo do email. Antes do Sparrow, mesmo no Gmail, muitas vezes me peguei escrevendo emails quilométricos, mas que diziam pouca coisa. O Sparrow simplificou o email de tal forma que fez ele parecer uma conversa. Emails curtos, como os famosos e produtivos emails de três frases, acabam sendo naturais.
A compra do Sparrow pela Google não me deixou impressionado. Na verdade, isto estava debaixo dos olhos de todos por muito tempo. O aplicativo foi criado sobre o Gmail, 100% baseado no produto da Google. Quando o cliente oficial do Gmail foi publicado na AppStore, foi um sucesso de downloads mas um fracasso em todos os outros quesitos. Nisto o Sparrow, relativamente caro, estava ali, comendo pelas bordas aquela porcentagem de usuários insatisfeitos com a solução oficial. Com esta aquisição, a Google só tem a ganhar.
A AppStore mudou a forma com que lidamos com atualizações de aplicativos. Nos acostumou com updates eternos de aplicativos pelo quais pagamos apenas uma vez. Antigamente isto não existia, as empresas ofereciam, sem custo, apenas os updates incrementais com correções de defeitos, e cobravam pela novas versões com novas funcionalidades.
Fazendo uma analogia, um aplicativo não é, de forma alguma, diferente de um álbum de um artista. Antes dele chegar na prateleira, mesmo que virtual, teve todo um processo de investigação (ora técnico, ora criativo), desenvolvimento, ajustes, finalização e venda. Ninguém compra um álbum de uma banda e espera receber todos os outros de graça. Música, livro, filme ou aplicativo, pagamos pelo que foi feito, não pela promessa do que poderá ser feito (ou oferecido de graça) depois.
Claro que não acho que todos os aplicativos devam ter, obrigatoriamente, suas atualizações cobradas, mas acho que o desenvolvedor precisa ter o controle dessa situação. Manter um time de desenvolvedores bons é caro e a curva de vendas de um aplicativo não se sustenta por muito tempo, pois tende a um limite.
Voltando ao Sparrow, acredito que eles também tenham saído ganhando com a aquisição, exatamente pelos pontos que levantei no parágrafo anterior. Com as vendas chegando a um limite e o simples fato de não poderem cobrar por um simples update, só restava a certeza de que o dinheiro deixaria de entrar um dia.
Como usuário, minha expectava é ver o Sparrow como novo aplicativo oficial do Gmail. Até lá, fico com a versão que paguei, pois paguei pelo que ela faz e não me arrependo por isto.